Um site de relacionamentos que se diz exclusivo para pessoas bonitas, o BeautifulPeople.com, anunciou a exclusão de 30 mil “feios” que burlaram o teste admissional. De beleza, claro. Afinal, interessados em participar da rede precisam submeter uma foto à votação dos usuários. Um vírus sugestivamente chamado Shrek teria possibilitado o drible da vaca nos servidores do site.
O caso foi descrito com entusiasmo pelo diretor do Beatiful People, Greg Hodge (ele próprio mais próximo de figurante das produções de Bob Guccione que de galã de Hollywood). Segundo o executivo, a empresa “lamenta sinceramente pelas pobres pessoas que foram incorretamente admitidas no site e que acreditaram, ainda que por pouco tempo, que eram bonitas”.
A veracidade da história é duvidosa. Possivelmente, se trata de mais uma jogada publicitária. Em janeiro, o site diz ter sido obrigado a expulsar cinco mil de seus membros após receber reclamações de que haviam engordado durante as festas de fim de ano. Num mês, príncipes viraram sapo. Aham.
O Beatiful People também chegou a se lançar numa tentativa frustrada de eugenia: criar um banco de óvulos e esperma dos seus cadastrados para assegurar a sobrevivência da beleza. Não se sabe se os belos têm o futuro ameaçado, mas ninguém pode duvidar que o dos idiotas é promissor.
Também é difícil dizer se o site realmente congrega os bípedes mais bonitos. Certo é que reúne alguns dos mais inseguros da espécie. Gente que chegou à vida adulta acreditando piamente na mamãe. Um relativista, com alguma razão, questionaria a ideia com um chavão: a beleza está nos olhos de quem vê. Gisele Bünchen, quando visitou os Kamayurá, no Parque do Xingu, não fez muito sucesso. Acharam-na magrela. Pois.
Há de tudo na internet para corações solitários encontrarem um par ideal. O grau de segmentação das redes de relacionamentos é surpreendente e abrange extremos. Dos narcisistas do Beautiful People à sua antítese, o The Ugly Bug Ball, “para quem não gosta do que vê no espelho”. Um promete o “paraíso”; o outro, a “realidade”. Existem ainda sites apenas para magros, gordos, evangélicos, quarentões, virgens, promíscuos e por aí vai…
Enfim, não falta cercadinho. Mas brincar lá fora, onde gratuitamente se topa em pedra e no acaso, é bem mais divertido – desde que protegido do sereno, como diria mamãe.
p.s.1: O título deste post é emprestado da festa idealizada pelos blogueiros Alexandre Matias e Luciano Kalatalo, que tira onda dos cercadinhos de endinheirados, apaniguados e wannabes em geral.
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